UMA ATUALIZAÇÃO DA ECONOMIA CIVIL DE ANTONIO GENOVESI DE 1754 COMO ORIGEM DAS ECONOMIAS HUMANIZADORAS DO MUNDO
(Daniel José da Silva/daniel.silva@ufsc.br)

Iniciamos a utilizar a expressão ‘economias humanizadoras’ em Março de 2020 quando da tentativa de entendermos o que estávamos vivenciando com a Pandemia Covid-19. O primeiro sentimento veio com a visão das cidades vazias e do confinamento das pessoas em suas casas. Para proteger nossa saúde foi necessário reduzir ao mínimo os relacionamentos familiares, sociais e de trabalho. Parecia que o mundo todo havia parado, a começar pelas economias locais. A cultura de violência, indiferença e instrumentalidade da economia mundializada que já tinha ocupado todos os espaços de humanização no Planeta se revelou por completo: a Pandemia mostrou o colapso de uma Humanidade que deixara de existir como sentimento e futuridade dos próprios humanos e de seu agir econômico no Planeta. Percebemos então que o adjetivo capitalista já não explicava mais essa economia pandêmica e a rotulamos de ‘economia colapsista’. Recuperamos as expressões ‘outras economias’ surgida em 2001 no Fórum Social Mundial e ‘economia civil’, de Antonio Genovesi (1713-1769), apresentado por Luigino Bruni e Stefano Zamagni em 2010. Partimos então em busca do professor da Universidade de Nápoles, que iniciou uma cátedra e um programa de pesquisa inédita no mundo sobre Economia Civil em 1754, em plena Inquisição e Humanismo. Sua obra veio à luz em 1767. Morreu dois anos depois com 55 anos.

O pensamento único da ‘economia colapsista’ reduziu e, em alguns países, excluiu toda a ética, humanismo e sustentabilidade das culturas humanas presentes em suas organizações sociais, políticas e jurídicas de promoção do bem estar das pessoas e de proteção dos bens comuns da humanidade. O agir econômico colapsista, caracterizado pela ocupação dos espaços cognitivos e produtivos de todas as instituições humanizadoras das sociedades, como a educação, saúde, justiça, diplomacia, segurança e o próprio sistema político, a começar pela democracia, consolida a privatização dos Estados e Governos através do uso de necro políticas, que determinam a exclusão e a morte da natureza e das pessoas e de suas futuridades em todos os territórios com possibilidades de uma apropriação imediata e completa dos bens comuns, com a realização das maiores acumulações possíveis de riqueza. A violência, a indiferença e a instrumentalidade da cultura colapsista são sentidas e visíveis em todo o rastro de degradação e sofrimento deixada por sua trajetória desumanizadora do mundo. A obra de Antonio Genovesi nos permite ver como aconteceu esse caminho ao longo dos últimos 270 anos, com as diversas negações da inserção de éticas no agir econômico das sociedades humanas e compreender como ainda não aprendemos a valorizar e respeitar a diversidade do humano e da natureza no Planeta.
1. ANTONIO GENOVESI

Antonio Genovesi nasceu em 01 de Novembro de 1713 em Castiglione (atual Castiglione de Genovesi), Salerno, Itália. Por orientação de seus pais, seguiu a vida religiosa, que lhe daria acesso à educação e a uma profissão intelectual, à qual o jovem se sentia afim. Ainda adolescente, inicia seus estudos de filosofia, literatura e de Descartes, adquirindo o completo domínio do latim. Segue para Buccino, ao sul de Castiglione, lá ingressando no Convento da Ordem de Santo Agostini. Nesse tempo domina o francês e o italiano, passando esse a ser o idioma de seus escritos e de suas aulas. Em 1735 segue para Salerno onde conclui sua formação religiosa e inicia sua carreira de professor em retórica. Se ordenando sacerdote em 1737. Nesse mesmo ano segue para Nápoles onde abre uma escola de formação em ética e se consolida como um professor motivador da aprendizagem em italiano, algo inédito na época, pois o idioma intelectual até então era o latim. Nessa cidade Antonio Genovesi viveria intensamente seus 32 anos de vida seguintes impregnados da crucialidade ocidental que se definia entre o humanismo, a inquisição e as revoluções do Séc XVIII. Morre aos 12 de Setembro de 1769.
O contexto social, cultural e político que Genovesi encontra em Nápoles nos esclarece o sentido que tomou sua vida. Humanismo, inquisição e revolução são as sintonias que alimentarão suas escolhas e ações pedagógicas. Genovesi encontrou-se fisicamente com esses três movimentos. Do Humanismo retirou suas fontes e construiu suas amizades; da Inquisição, conseguiu se salvar, com a ajuda dos amigos humanistas e para a Revolução, deixou suas contribuições para todas as gerações, como um bom professor, e que ainda hoje estão fazendo a diferença na promoção da justiça no mundo.

Em 1737, quando Genovesi chega em Nápoles, já vinha com a sintonia do humanismo italiano em sua vida, com a leitura da obra de Dante (1265-1321), as poesias de Petrarca (1304-1374), e de Matteo Palmieri (1406-1475), criador da utopia de uma ‘vida civil’. Todos esses poemas foram escritos em italiano. Genovesi convive com os humanistas que serão as fontes éticas de suas pesquisas: Paolo Mattia Doria (1667-1746), que propões a ‘felicidade humana’ como fundamento de um viver em sociedade e precursor do conceito político de ‘sociedade e vida civil’; Giambattista Vico (1668-1744), de quem foi aluno, que irá propor a educação virtuosa para uma felicidade humana a partir da máxima que o ‘todo é sempre maior que qualquer parte’; Lodovico Antonio Muratori (1672-1750), de Modena, com quem se correspondia, e que irá apresentar a ideia mais elevada do humanismo quando associa a ‘vida civil’ a uma busca coletiva por uma ‘felicidade pública’ que se ocupa da proteção dos bens que são comuns a todos os humanos. Fechando o círculo de amigos humanistas, Genovesi contará com a proteção do Bispo Celestino Galiani (1681-1753) que o protegerá da Inquisição; de Bartolomeu Intieri (1677-1757), que financiará sua cátedra na Universidade de Nápoles e do jovem Ferdinando Galiani (1728-1787), que irá lhe propor o tema da Economia Civil, se afastando daqueles mais sensíveis à Inquisição, da qual só se livrou depois que o Rei Carlos de Bourbon conseguiu demitir o Arcebispo Giuseppe Spinelli e Inquisidor-Mor de Nápoles, em 1754, com o apoio do Papa Bento XIV.

O contexto econômico e político da vida de Genovesi em Nápoles foi marcado pelo reinado do jovem iluminista Carlos de Bourbon (1716-1788) que derrota e expulsa os austríacos e entra em Nápoles em 1734, com apenas 18 anos de idade, governando o reino até 1759, quando assume a coroa da Espanha. Ao partir, deixa seu filho Fernando sob a regência do Ministro Bernardo Tanucci (1698-1783), a quem Genovesi prestou assessoria, já como professor de Economia Civil da Universidade de Nápoles. A cidade e o reino passam por reformas estruturantes das quais duas delas foram acompanhadas por ele. A primeira foi a reforma urbana da cidade. Nápoles era a segunda maior cidade europeia depois de Paris e recebeu um trabalho de urbanização com melhorias significativas nas condições de moradia e mobilidade, incluindo a construção de um grande ‘hotel dos pobres’, inaugurando uma atenção integral de moradia, saúde, alimentação, educação e formação profissional às famílias, homens, mulheres e crianças. A segunda reforma foi a regularização das terras comuns para a produção de alimentos pelos camponeses, evitando sua apropriação pelos senhores feudais. Certamente Genovesi viu nessas reformas exemplos de reciprocidade, equidade e promoção da felicidade pública.
2. A ECONOMIA CIVIL DE ANTONIO GENOVESI

A seguir apresentamos a estrutura cognitiva do conceito de Economia Civil de Genovesi com o qual identificamos mais de uma dezena de economias humanizadoras. Sim, elas existem e são muitas. Cada uma com sua história, comunidades, princípios, metodologias, práticas, tecnologias e, estranhamente, com pouco contato entre si. Mas todas com um pensamento ético inaugurado por Genovesi em 1754.


O pensamento econômico realizado a partir da estrutura cognitiva da Economia Civil de Antonio Genovesi parte de uma relação dialógica entre duas éticas: a reciprocidade e a equidade. A reciprocidade define a movimentação da moeda com uma prática recíproca entre juros e rendimentos, bem como entre quantidade e qualidade dos produtos e serviços ofertados e demandados pela sociedade. A equidade, por sua vez, define a oferta subsidiada de meios de produção – formação, capital, terras, tecnologias- e segurança social – abrigo, alimentos, saúde, educação -, às famílias mais fragilizadas da sociedade. Ambas éticas tem suas origens nos direitos humanos naturais do respeito e o de ser socorrido. Nessa origem está a fonte da conceituação das ‘economias humanizadoras’. Uma economia humanizadora do mundo utiliza, de forma explícita, os direitos humanos como fonte das éticas substantivadoras de seu agir econômico nas relações com as pessoas, a natureza e a sociedade. Genovesi deixa sempre muito claro que o princípio de realidade da Economia Civil é sempre o território social e cultural das comunidades locais e suas relações ecológicas e políticas com as nações do mundo.

Dessa prática de éticas substantivadoras na economia transcende uma terceira ética que assume um papel orientador e agregador da sociedade, qual seja a ética da felicidade pública. Essa ética possui uma fonte emocional virtuosa dada pelas futuridades imanentes das pessoas e da natureza em suas singularidades e individualidades que se atualiza num sentimento compartilhado, construído e convivido de dignidades, respeitos, cuidados, confianças, justiça, paz, amor e solidariedades. Genovesi aplicou esse raciocínio transdisciplinar para exemplificar três realidades de felicidade pública promovidas pela Economia Civil: a) o cuidado intergeracional da resiliência das populações das cidades e nações; b) a oferta permanente de uma educação virtuosa valorizadora dos bens comuns da humanidade e c) a priorização da economia na produção local dos alimentos e da segurança alimentar das pessoas.
3. UMA ATUALIZAÇÃO DA ECONOMIA CIVIL DE ANTONIO GENOVESI
A transição da economia capitalista em colapsista da humanidade sobre o Planeta nos exige uma atualização da estrutura cognitiva da Economia Civil de Genovesi, de modo a incluir as complexidades atuais da dialógica entre as trajetórias colapsista e sustentável dos humanos e servir como marco de origem das economias humanizadoras. Essa atualização foi possível por ser o pensamento de Genovesi, em sua origem, transdisciplinar, com espaços vazios entre os direitos, éticas, disciplinas, economias, territórios, cidadanias e as três futuridades apontadas (POPULAÇÃO, EDUCAÇÃO E ALIMENTOS), capazes de gerar uma cognição transversal valorizadora de enações, pertinências e terceiros incluídos.
Assim, a Reciprocidade Econômica, dada pelas reciprocidades entre juros e rendimentos da moeda; produção e consumo de mercadorias e serviços e demandas da sociedade, se abre para abrigar a Reciprocidade Ecológica, através do cálculo da entropia da movimentação diária das pessoas e de seu consumo de produtos e serviços, com a estimativa financeira da compensação ambiental local, regional, nacional ou biosférica dessa entropia, conforme for sua origem e poder de degradação.
A Equidade Social, dada pela atenção alimentar saudável, saúde integral, educação virtuosa e conforto às famílias mais fragilizadas socialmente, se abre para abrigar a Equidade Ecológica, através das ações de cuidado, proteção e recuperação dos ecossistemas locais, regionais, nacionais e biosféricos mais degradados pela economia colapsista e sua indiferença às externalidades e aos passivos ambientais.
Por fim, a Felicidade Pública, missão civilizatória maior da economia civil de Genovesi se abre para receber a Ética da Responsabilidade com as Futuridades Comuns da Humanidade e do Planeta, através da consideração da cultura do cuidado (cuidado com as pessoas, com a natureza e com o futuro) como uma estratégia humanista para o desenvolvimento de uma humanidade saudável e resiliente sobre o Planeta, superando as soluções heterônomas de controle da fertilidade e genocídio dos povos; com a universalização de um sistema de saúde integral, com a atenção à saúde de cada pessoa, de seus coletivos e da natureza que os suportam e a promoção das economias humanizadoras, através de plataformas sociais de economia da experiência humana, escolas virtuosas e bancos éticos.

 

4. SÍNTESE DO ESTUDO PARA O PRESENTE ALARGADO DA PANDEMIA COVID-19
4.1 – A RELAÇÃO SOCIEDADE CIVIL – HUMANIDADE
– A IDEIA DE UMA PERSPECTIVA HUMANISTA, HUMANIZADORA E SAUDÁVEL DA VIDA HUMANA SOBRE O PLANETA É UMA ATUALIZAÇÃO DOS TEMPOS PANDÊMICOS QUE ESTAMOS VIVENDO, MAS DESDE O INICIO DO HUMANISMO, EM ESPECIAL O ITALIANO NO SÉCULO XVIII, A IDEIA DE HUMANIDADE É ENATIVA AO CONCEITO DE SOCIEDADE CIVIL E DE CIDADANIA ATIVA. E PARTIR DE 1754, COM GENOVESI, TAMBÉM À ECONOMIA CIVIL.
– TODAS AS DEZ ECONOMIAS APRESENTADAS NESSE ESTUDO RESULTAM DE PRÁTICAS HUMANISTAS EXERCIDAS POR PESSOAS E ORGANIZAÇÕES ATIVAS, REPRESENTANTES DE UMA VIDA CIVIL, LAICA, CIDADÃ, PACÍFICA E RESPONSÁVEL, EM CONTEXTOS HISTÓRICOS CRUCIAIS DA HUMANIDADE, SE DIFERENCIANDO DAS PRÁTICAS DESUMANIZADORAS E COLAPSISTAS EXISTENTES NAS VIDAS MILITARES, RELIGIOSAS, SERVIS E ACUMULATIVAS.
– O FORTALECIMENTO E A VALORIZAÇÃO DA CIDADANIA ATIVA E DAS ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL COM SUAS PERSPECTIVAS HUMANISTAS DO MUNDO É A PRERROGATIVA PRIMEIRA DO DESENVOLVIMENTO E CONSOLIDAÇÃO DAS ECONOMIAS HUMANIZADORAS.
4.2 – A RELAÇÃO FELICIDADE PÚBLICA – FUTURIDADE
– A IDEIA DE UMA FELICIDADE PÚBLICA QUE RESULTA DO RECONHECIMENTO DA LEGITIMIDADE DA FELICIDADE DOS OUTROS NUMA CONVIVÊNCIA CIDADÃ, PACÍFICA, RESPEITOSA E DIGNA É UMA DAS MAIS BELAS CONTRIBUIÇÕES DO HUMANISMO ITALIANO AO MUNDO DA SOCIEDADE CIVIL. COM A ECONOMIA CIVIL, GENOVESI COLOCA A FELICIDADE PÚBLICA COMO A MISSÃO DOADORA DE SENTIDO PARA O AGIR ECONÔMICO.
– TODAS AS ECONOMIAS HUMANIZADORAS PESQUISADAS NESSE ESTUDO REVELAM UMA PRESENÇA DA FELICIDADE PÚBLICA COMO UMA FUTURIDADE PEDAGÓGICA DE HUMANIZAÇÃO IMANENTE AO PROCESSO ECONÔMICO, SEJA NA FORMA DE CONTEÚDOS ÉTICOS (RECIPROCIDADE, EQUIDADE, COOPERAÇÃO, CUIDADO); ESTÉTICOS (ENTROPIA, RECICLAGEM; DONUTS) E/OU ESTRATÉGICOS (GOVERNANÇA, CAPITAL NATURAL, CASA COMUM).
– A OFERTA DE PROGRAMAS DE EDUCAÇÃO VIRTUOSA E HABILITADORA COM UMA FORMAÇÃO HUMANISTA E SUSTENTÁVEL DE CRIANÇAS, JOVENS E ADULTOS PARA UM AGIR ECONÔMICO E POLÍTICO RESPONSÁVEL COM A FELICIDADE PÚBLICA E A FUTURIDADE DAS PESSOAS, DOS BENS COMUNS E DO PLANETA É A SEGUNDA PRERROGATIVA DO DESENVOLVIMENTO E CONSOLIDAÇÃO DAS ECONOMIAS HUMANIZADORAS.
4.3 – A RELAÇÃO RECIPROCIDADE – EQUIDADE
– AS ÉTICAS DA RECIPROCIDADE E EQUIDADE SÃO AS FONTES ENATIVAS DA COGNIÇÃO DA ECONOMIA CIVIL DE GENOVESI E ESTÃO PRESENTES EM TODAS AS ECONOMIAS HUMANIZADORAS ESTUDADAS, MESMO SEM UMA FORMALIZAÇÃO EXPLÍCITA DE CONTINUIDADE HISTÓRICA OU PARADIGMÁTICA. ESSA PRESENÇA SUTIL PODE SER RESULTADO DE SEREM ESSAS ÉTICAS ORDENS IMPLÍCITAS DO FENÔMENO HUMANIZADOR DO HUMANO E DO MUNDO E ESTAREM PRESENTES EM TODA AÇÃO HUMANA QUE TENHA A HUMANIZAÇÃO COMO FUTURIDADE.
– TRÊS DAS DEZ ECONOMIAS HUMANIZADORAS, (BENS COMUNS, DONUT, FRANCISCO), APRESENTADAS NESSE ESTUDO APLICAM TODAS AS QUATRO VARIANTES ÉTICAS (RECIPROCIDADE SOCIAL, RECIPROCIDADE ECOLÓGICA, EQUIDADE SOCIAL E EQUIDADE ECOLÓGICA); UMA ECONOMIA (SOLIDÁRIA) APLICA TRÊS E OUTRAS SEIS ECONOMIAS (CIVIL, ECOLÓGICA, CIRCULAR, CUIDADO, COMUNHÃO, VERDE) APLICAM DUAS VARIANTES. AS PRIMEIRAS TRÊS VARIANTES ESTÃO PRESENTES EM SETE ECONOMIAS E A QUARTA VARIANTE ESTÁ PRESENTE EM SEIS.
– A ATUALIZAÇÃO DAS ÉTICAS DE RECIPROCIDADE E EQUIDADE, COM SUA EXTENSÃO À NATUREZA E AO PLANETA, QUALIFICA AS ECONOMIAS HUMANIZADORAS NO CÁLCULO DA ENTROPIA DOS PROCESSOS E NA COMPENSAÇÃO DOS PASSIVOS AMBIENTAIS, BEM COMO NA VALORIZAÇÃO DAS CULTURAS HUMANAS EXCLUÍDAS E HUMILHADAS AO LONGO DA TRAJETÓRIA COLAPSISTA, CONSTITUINDO-SE NA TERCEIRA PRERROGATIVA DO DESENVOLVIMENTO E CONSOLIDAÇÃO DESSAS ECONOMIAS.

4.4 – A OPORTUNIDADE DE UMA ECONOMIA DA EXPERIÊNCIA E DE BANCOS ÉTICOS

– FRANCISCO CITA RAWORTH; QUE NÃO CITA HENDERSON; QUE NÃO CITA LUBICH; QUE NÃO CITA OSTROM; QUE NÃO CITA GILLIGAN; QUE NÃO CITA STAHEL; QUE NÃO CITA GEORGESCU-ROEGEN; QUE NÃO CITA OWEN; QUE NÃO CITA GENOVESI. O ESTUDO DAS ECONOMIAS HUMANIZADORAS A PARTIR DE ANTONIO GENOVESI NOS MOSTRA A EXISTÊNCIA DE UMA GRANDE OPORTUNIDADE DE APRENDIZAGEM TRANSDISCIPLINAR ENTRE, ATRAVÉS E ALÉM DAS EXPERIÊNCIAS DAS ECONOMIAS HUMANIZADORAS, REALIZANDO UM NOVO TIPO DE ECONOMIA, QUAL SEJA, A ECONOMIA DA EXPERIÊNCIA HUMANA EM CULTURAS E PRÁTICAS ECONÔMICAS HUMANIZADORAS DO MUNDO.
– NENHUMA DESSAS DEZ ECONOMIAS HUMANIZADORAS DO MUNDO CONSTRUI UM BANCO FINANCIADOR DE SUAS ATIVIDADES NESSES 276 ANOS DE SUA HISTÓRIA.
– A CRIAÇÃO DE UMA PLATAFORMA DE DIÁLOGO PERMANENTE SOBRE A EXPERIÊNCIA DAS ECONOMIAS HUMANIZADORAS E DAS COMUNIDADES PRATICANTES DAS ÉTICAS DA RECIPROCIDADE, EQUIDADE E FUTURIDADE E DE UM BANCO ÉTICO, SOCIAL E CIVIL PARA A PROMOÇÃO DAS ECONOMIAS E O FINANCIAMENTO DAS RECIPROCIDADES, EQUIDADES E PROTEÇÕES LOCAIS DAS FUTURIDADES DOS BENS COMUNS DA HUMANIDADE, BEM COMO DA EDUCAÇÃO VIRTUOSA ASSOCIADA A ESSES PROCESSOS É A SUGESTÃO DE PRERROGATIVA ESTRATÉGICA PARA O DESENVOLVIMENTO E CONSOLIDAÇÃO DAS ECONOMIAS HUMANIZADORAS AINDA NO ATUAL PRESENTE ALARGADO DA PANDEMIA COVID 19.
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